Praticar reciclagem é um dos hábitos que considero parte de um mundo melhor, que desejamos deixar para nossos filhos. Por isso, convidei a nossa super especialista em sustentabilidade, Monique Fróes, para resolver as principais dúvidas que temos sobre o assunto. Você sabe se precisa lavar as embalagens que vão para a reciclagem? Se isopor é ou não reciclável? Como fica o recolhimento desses materiais na sua cidade? Então não deixe de ler as respostas a seguir!
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Por Monique Fróes

Esse símbolo indica um produto reciclável
A reciclagem vem ganhando espaço na mídia, fundamentalmente por conta dos problemas que o lixo traz e sobre os quais falamos um pouquinho
no post passado. Mas, na nossa vida cotidiana, ela também está mais presente. Quer um exemplo? Vamos à praça de alimentação do shopping e, ao terminarmos a refeição, levamos nossa bandeja até as lixeiras e separamos nosso lixo em “orgânicos” e “recicláveis”, não é mesmo? Nos parques da cidade, na empresa onde trabalhamos, nos supermercados e em muitos outros lugares, a prática de separar o lixo reciclável virou uma constante. Até mesmo nos salões de beleza e nas clínicas médicas há um recipiente específico para depositar o copinho plástico que bebemos água. Incrível!
Mas junto dessa crescente e importante conscientização sobre reciclagem, surgem muitas dúvidas quando estamos diante das lixeiras. O papel que embrulha o sanduíche, ou que cobre a bandeja, vão para a lixeira do “orgânico” ou dos “recicláveis”? Bom, minha missão nesse post é tentar esclarecer um pouco mais o assunto. Então, vamos às dúvidas mais recorrentes:
Como separar o lixo reciclável em casa?
Talvez a primeira pergunta que as pessoas se fazem na hora de começar a reciclar o lixo de casa é: “preciso comprar um coletor para papel, outro para plástico, outro para metal e assim por diante?”. A resposta é não! Bastam dois coletores: um para recicláveis e outro para não recicláveis. No não reciclável, você vai depositar o lixo da cozinha (composto principalmente por restos de alimento) e o lixo do banheiro (obviamente você pode juntá-los na hora do descarte). No reciclável, você pode colocar tudo junto: o papel, o plástico, o metal e o vidro. Sabe por quê? Pois quando esse material reciclável chegar à empresa responsável pela reciclagem, eles serão jogados numa esteira e os funcionários realizarão uma triagem. Por isso, não se preocupe em separar os tipos de resíduos.
Devo lavar as embalagens antes de descartar para reciclagem?
Sim. Primeiro para não atrair vetores (insetos transmissores de doenças, como a
dengue) e maus cheiros, segundo porque certas substâncias podem destruir a capacidade de determinado material ser reciclado. Explico. Imaginem vocês uma caixinha de leite ou uma latinha de bebida (nos quais sempre fica um restinho de líquido dentro, não tem jeito!) descartadas junto de revistas e jornais. O leite e a bebida “sujarão” os papéis e isso prejudicará o processo da reciclagem, certamente.
Mas atenção aqui: não estou dizendo que é preciso ficar lavando com esponja, sabão e tudo mais. O ideal é jogar uma água para que o restinho do líquido não contamine outros resíduos, ou até mesmo passar o papel toalha para tirar o excesso de um produto (como no caso dos potinhos de manteiga/margarina, por exemplo).
Onde devo descartar meu lixo reciclável?
Muitas cidades do Brasil inteiro, por conta da
nova lei de resíduos sólidos, estão implantando a coleta seletiva, pois se tornou um dever das Prefeituras arcarem com essa tarefa. Aqui em São Paulo, por exemplo, um caminhão contratado pela prefeitura passa na minha casa toda quinta-feira apenas para pegar o lixo reciclável. Por isso, confira no site do seu município se esse tipo de serviço já é realizado ou se há algum lugar disponibilizado na cidade para depósito dos recicláveis. Se não houver, faça uma reclamação na ouvidoria da prefeitura e exerça seu direito como cidadão. Enquanto isso, procure por empresas ou supermercados que já adotaram projetos de reciclagem e que disponibilizam coletores em seus estabelecimentos.
E para terminar, deixo uma listinha com exemplos de resíduos que podem ser reciclados e os que não podem ser, em geral porque ainda não foi desenvolvida uma tecnologia para isso:
São recicláveis:
Jornais, revistas, listas telefônicas, cadernos, papel sulfite, papelão, cartolina, embalagens plásticas variadas (procure sempre pelo símbolo de reciclagem na embalagem; se não tiver, é porque não é reciclável), garrafas pet, embalagens metalizadas (como as de salgadinhos e biscoitos – que antes não eram, mas passaram a ser recicláveis), embalagens longa vida, latinhas de alumínio e enlatados, isopor, potes de conservas, vidros (inteiros ou quebrados), sacos plásticos, frascos de produtos de limpeza e higiene pessoal, utensílios plásticos usados (baldes, canetas, etc), brinquedos, talheres de metal, papel alumínio (limpo), escova de dente, etc.
Não são recicláveis:
Madeira, papéis engordurados ou sujos (como guardanapos ou papel higiênico), fitas de tecido, adesivos e etiquetas, fotografias, esponjas, fraldas descartáveis, latas de tinta, verniz, solventes químicos e inseticidas, clipes, grampos, lâmpadas, pilhas, baterias, óleos de cozinha, espelhos, cristais, louças de porcelana, eletrônicos, etc.
Uma dica que eu costumo dar às pessoas é: na dúvida, coloque para reciclar. Com certeza os funcionários da empresa de reciclagem saberão se é possível reaproveitar o material ou não.