segunda-feira, 14 de março de 2016

Tecnologia: TSE: em cinco testes de ataques nas urnas eletrônicas, dois mostraram fragilidades

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Pelo menos duas tentativas foram bem sucedidas em quebrar o sigilo dos votos da urna eletrônica, na retomada dos testes sobre o equipamento patrocinados pelo Tribunal Superior Eleitoral. O TSE não realizava novos testes públicos de segurança desde o primeiro sucesso em explorar fragilidades da urna, em 2012.

“Sabemos que houve alguns testes que se obteve algum tipo de descoberta de vulnerabilidade e nesses casos já estamos trabalhando as devidas soluções”, afirmou o presidente do TSE, José Antonio dias Toffoli, ao fazer um balanço dos três dias dos Testes Públicos de Segurança, realizados entre 8 e 10/3.

O primeiro sucesso nesta nova realização dos testes foi alcançado pela equipe do professor Luis Fernando de Almeida, diretor do departamento de informática da Unitau, em Taubaté-SP. Ele conseguiu extrair os votos depositados na urna explorando o sistema de áudio que auxilia a votação de pessoas com deficiência visual.

“Há casos em que o áudio só é habilitado para cada eleitor específico que solicitou à Justiça Eleitoral. Mas em outras urnas, o recurso está 100% habilitado e há ainda os casos em que ela pode ser habilitada a partir da digitação de um código pelo mesário. Conseguimos acoplar um equipamento e transmitir esse áudio, que anuncia em que tecla a pessoa está digitando”, explica Almeida.

O segundo teste bem sucedido foi realizado pelo professor João Felipe Souza, do curso de informática do Instituto Federal do Triângulo Mineiro, que abordou a reinstalação do sistema, o registro do teclado e a destruição de votos na urna. O TSE sustenta, no entanto, que nenhuma das fragilidades exploradas conseguiu fraudar o resultado.

“Já conversamos com os nossos técnicos do tribunal, e isso é facilmente corrigível. Em nenhum desses há possibilidade de desvio de voto ou fraude, seja na votação, seja na totalização, o que nos deixa mais uma vez mais bastante tranquilos e bastante seguros do sistema da urna eletrônica, dos softwares e de todo o nosso sistema de segurança do voto”, insistiu Toffoli.

Mas como ressalva a advogada Maria Aparecida Cortiz, do Conselho Multidisciplinar Independente (CMind), uma ONG que milita por maior transparência pela possibilidade de que as eleições sejam auditadas, o TSE não chega a permitir que sejam exploradas fragilidades em todas as etapas do sistema de votação eletrônica.

“Temos as etapas de desenvolvimento, de carga pelos Tribunais Regionais, a urna e a totalização. Ninguém vê o desenvolvimento, nem a geração de mídias nos TREs, só a urna é testada. E mesmo assim, foram novamente encontradas fragilidades”, afirma a integrante do CMind.

Espera-se que o detalhamento dos ataques seja apresentado junto com o relatório de avaliação dos testes públicos, previsto para a próxima terça, 15/3. Esta é a primeira sessão de testes desde a quebra do sigilo há quatro anos, mas a partir de uma resolução aprovada no ano passado pelo TSE, eles serão realizados a partir de agora em todos os anos em que houver eleições ordinárias.

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